Chamusca

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CHAMUSCA, TERRA BRANCA DE GENTE FUSCA

A conquista dos territórios a sul do rio Tejo, detidos pela ocupação árabe, foi o princípio necessário ao nascimento da Chamusca.

Inicialmente reservada na Coutada Real, tornou-se, provavelmente pelo deslumbre da sua paisagem e abundante caça, num local de interesse para o exercício venatório de D.Pedro I, Rei de Portugal. Em 1364, regista-se um acontecimento relevante na Chamusca, nesta altura, era apenas um casal de lavoura. O acontecimento foi protagonizado por D, Pedro I, ao reconhecer o seu filho bastardo, e futuro rei de Portugal, D.João I.

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D. Pedro I                                                                                                                                           

João tinha apenas sete anos, quando seu pai, o armou cavaleiro na Chamusca e autorgou-lhe o cargo de Mestre de Aviz. Foi por decisão de D,João I, que se concretizou a primeira real doação do lugar da Chamusca e de Ulme, a um seu vassalo e cavaleiro, Afonso Vasques Correia em 1386. Este cavaleiro era natural de Abrantes e feito nobre, nomeado escudeiro e alcaide-mor de Abrantes por ter sido destacado combatente na Batalha de Aljubarrota e defensor da causa do Mestre de Aviz, D.João I.

Em 1449 os Silvas dão os primeiros passos para a sua invenção:o futuro concelho da Chamusca. D. Afonso V atribuiu-lhes a Carta de Doação do Lugar d’Vlme, a contrário do que seria espectável, os Silvas, não se instalaram no lugar de Ulme. mas sim no lugar da Chamusca que se encontrava nos seus limites, gozando de amenidade e contemplação, e cujos campos resplandeciam de fertilidade. A Chamusca seria o lugar de residência da família, não havendo nem Irmandade , nem Igreja na Chamusca, Ulme seria destino dos seus afazeres religiosos na Irmandade das Almas do Purgatório e na primitiva igreja de Santa Maria.

armas_de_silva_chefe_in_livro_do_armeiro-mor_54_original Primeiro brasão de armas dos Silvas

Ruy Gomes da Silva, bisavô de Ruy Gomes da Silva, foi o primeiro donatário dos lugares da Chamusca e de Ulme.

O segundo donatário foi seu filho João da Silva a quem se deve o progresso da Chamusca pois, em apenas três décadas, de 1487 a 1517, conseguiu transformar um casal de lavoura, num Lugar com cerca de cem fogos elevando-o ao estatuto de freguesia. Foi ainda, responsável pela construção do Solar dos Silvas, que resistiu até meados do séc.XIX, e pela construção original da Igreja de S. Brás iniciada em 1510. João da Silva e sua esposa Joana Henriques encontram-se sepultados nesta igreja, assim como seu filho Francisco da Silva e a esposa Maria de Noronha. Francisco da Silva foi o terceiro donatário, entre 1520 e 1566, a ele se devem as primeiras tentativas de elevação a vilas e concelhos dos Lugares da Chamusca e de Ulme. Outro dos seus feitos foi a expansão territorial das duas freguesias para o interior da charneca e campo da Trava.

1561: A Invenção dos Silvas

De início integrada no termo de Santarém, a Chamusca, foi em 1561, elevada a vila e a sede de concelho, juntamente com Ulme, por alvará concedido a estes Lugares. Francisco da Silva, terceiro donatário das duas terras protagonizou a primeira tentativa de autonomia. No entanto, o processo não foi rápido nem pacífico devido à resistência de Santarém, só com o forte empenhamento e influência do seu filho, Ruy Gomes da Silva, durante a regência de D. Catarina, avó de D. Sebastião, foi possível à Chamusca e a Ulme nascerem gémeas de vilas e concelhos, a 18 de fevereiro de 1561.

eboli-500xXx80 - CópiaRuy Gomes da Silva

Em 2016, faz 500 Anos que nasceu na Chamusca, em 27 de outubro de 1516, Ruy Gomes da Silva, 4º Donatário da Chamusca e de Ulme, Duque de Pastrana ( Espanha) e Príncipe de Éboli ( Itália ). De meados do século XV até à Restauração, a vila pertenceu à Casa dos Silvas, cujo leão púrpura conserva ainda no brasão de armas.

Ruy Gomes da Silva, apesar de nunca ter regressado ás suas terras, faleceu em Madrid a 29 de julho de 1573, sempre acompanhou e zelou pelo seu desenvolvimento. O mesmo não poderemos dizer dos restantes donatários, respectivamente Rodrigo da Silva e Mendonça, Ruy Gomes da Silva de Mendonça e La Cerda e Rodrigo da Silva e Mendonça, com eles, a Chamusca e Ulme entraram em declínio, de 1573 a 1643, o unico mérito, que não é destes, foi a fundação da Santa Casa da Misericórdia, cujo primeiro compromisso é de 1621, sendo necessário que fidalgos chamusquenses até 1643 fossem Provedores em substituição, por ausência dos donatários da Chamusca. Neste intervalo de tempo correspondente a 70 anos estivemos sob domínio castelhano durante 60 anos, de 1580 a 1640 e sem qualquer vantagem.

José_de_Avelar_Rebelo_-_Retrato_da_Rainha_D.Luisa_de_GusmãoD. Luisa de Gusmão, primeira Rainha donatária da Chamusca e Ulme, bisneta de Ruy Gomes da Silva

A partir de 1643, passou a integrar o património da Casa das Senhoras Rainhas, tendo sido primeira Rainha donatária D. Luisa de Gusmão, bisneta de Ruy Gomes da Silva. A pertença à Casa das Senhoras Rainhas manteve-se até início do século XIX, em 1841 recebe a freguesia do Pinheiro Grande e em 1855 anexa o concelho de Ulme, por extinção deste, com as suas três freguesias: Ulme, Chouto e Vale de Cavalos.

Intimamente ligada à história de Portugal por numerosas efemérides, a vila da Chamusca é do ponto de vista urbanístico uma povoação interessante de casario branco, onde humildes casas rurais se cruzam com casas senhoriais que sobreviveram ao passar dos tempos, nas ruas calmas deste lugar que tem nos seus domínios, património arquitectónico e artístico de relevância, como são exemplo diversos edifícios particulares que assinalam diferentes épocas, o Coreto, a Praça de touros, o Monumento ao Trabalhador Agrícola e muitas Igrejas e Ermidas  aqui erguidas.

A Chamusqua de 1561, hoje Chamusca do século XXI, mereceu ao longo dos tempos o heterónimo descritivo de Terra Branca, Gente Fusca. Terra Branca, terá resultado da contemplação do casario a partir dos muitos pontos de vista existentes, sendo hoje muitos deles, com funções de miradouros. Gente Fusca deixa uma certa áurea de mistério pois, o seu significado abre muitas hipóteses como Gente negra, preta, escura, amorenada, triste ou sombria. Uma coisa é certa, hoje como no passado, a Chamusca continua a possuir  como desígnio o deslumbre do casario branco e a vontade das suas gentes em gerar riqueza a  partir de uma paisagem única e inolvidável.

Textos: Francisco Matias; Fotos: da Web para fins não comerciais e Francisco Matias; Composição Digital: Francisco Matias

Bibliografia:“O Concelho da Chamusca”, por Manuel José Cid Carvão Guimarães

“Por Terras da Chamusca, em breve e esquemático elucidário do seu passado”, por Luís António Vaz Tecedeiro

“História da Chamusca”, por João José Samouco da Fonseca

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